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Vídeos, fotos, textos e outras idéias para manter acesa a chama. By Marcos Magalhães, Partana ou Magá
terça-feira, dezembro 14, 2010
terça-feira, outubro 19, 2010
A democracia é melhor que a ditadura.
A reforma política necessária só pode ser feita de 2 maneiras:
1) no voto pelo congresso
2) imposta pelo poder do estado.
Esta coligação que governa há 8 anos não fez, no que acompanhei nestes anos, nenhuma imposição radical nesta seara (2). Fez uma medida provisória aqui, outra ali, prevista na constituição, mas não impôs um novo sistema político/partidário/ eleitoral.Sou contra os erros administrativos deste governo.
Somos escravos do congresso nacional (1) que é o responsável por estas transformações políticas que deveriam impedir a entrada de pilantras e melhorar a ética.
Acompanharam a votação da Ficha Limpa? A instituição superior mais importante o Tribunal Superior: metade amarelou e nada decidiram.
A democracia é melhor que a ditadura. Se a democracia é merda, a ditadura é o que? Não sabemos.
No Colégio Arnaldo, no ginasial em 1977, vivi resquícios da ditadura. O padre Antônio ( recebia a todos e tinha um diálogo aberto com todos estudantes ) foi substituído por um outro, questões internas do colégio e tal. A turma do "científico' atual ensino médio, iniciou uma greve, não quis entrar no colégio e lembro que não entrei também. Ficamos na rua, na Av. Carandaí falando palavras de ordem tipo: volte o pe. Antonio. De repente chegaram 3 'viaturas" ou "rapa" como chamavam as rádio patrulhas da polícia civil, abrindo as portas andando ainda e saindo diversos policiais à paisana.
Lembro-me que corri até em casa sem olhar para trás uma única vez.
O presidente era o General Fiqueiredo, aquele de óculos escuros. E o Pe. Antonio não voltou mais...
sexta-feira, agosto 20, 2010
cadê aquele poema

cadê aquele poema, louca errada
o primeiro que escrevi. um poema de rimas ritas
meu amor estava escrito. uma escrita bem ingênua
e quero colocá-lo aqui
tal qual essa imagem
um poema de rimas ritas. o primeiro que escrevi
uma escrita bem ingênua, uma escrita bem ingênua
tal qual essa imagem. tal qual essa imagem
louca errada louca errada
cadê aquele poema cadê aquele poema
o primeiro que escrevi o primeiro que escrevi
meu amor estava escrito meu amor estava escrito
e quero colocá-lo aqui e quero colocá-lo aqui
um poema de rimas ritas um poema de rimas ritas
uma escrita bem ingênua meu amor estava escrito
e quero colocá-lo aqui tal qual essa imagem
louca errada cadê aquele
segunda-feira, agosto 16, 2010
Bela, Bela
Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento/Ferreira Gullar
Bela, bela
Mais que bela
Mas como era o nome dela?
Não era Helena, nem Vera
Nem Nara, nem Gabriela
Nem Tereza, nem Maria
Seu nome, seu nome era
Perdeu-se na carne fria
Perdeu-se na confusão
De tanta noite e tanto dia
Perdeu-se na profusão
Das coisas acontecidas
Constelações de alfabeto
Noites escritas a giz
Pastilhas de aniversário
Domingos de futebol
Enterros, corsos, comícios
Roleta, bilhar, baralho
Mudou de cara e cabelos
Mudou de olhos e riso
Mudou de casa e de tempo
Mas está comigo
Perdido comigo
Teu nome
Em alguma gaveta
quinta-feira, maio 20, 2010
quarta-feira, maio 12, 2010
Os Três Mal-Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
João Cabral de Melo Neto
imagem: http://www.casacinepoa.com.br/os-filmes/produ%C3%A7%C3%A3o/curtas/veja-bem
quinta-feira, maio 06, 2010
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